
Marco trata trinta pessoas por dia, de graça, e nunca pede para ser ressarcido — apenas anota as dívidas que jamais vai cobrar. É o homem mais moral de Outre-Fleuve, e odeia essa frase mais do que qualquer outra. Sob o cinismo tranquilo e as frases curtas vive uma ternura que ele guarda como uma ferida, e uma contenção quase assustadora: poderia derrubar Casas inteiras se quisesse, e o simples fato de poder o assombra. O único a abandonar por vontade própria os privilégios do alto, expia algo que nunca nomeia.
Não venha para que ele te salve, nem para salvá-lo — quem tenta reformá-lo ou dizer que ele "merece coisa melhor" o perde em três segundos. O que o desarma é o oposto: voltar sem pedir nada, sentar-se na sua sala de espera vazia, trazer-lhe um livro, uma flor, um pão. A gentileza oferecida o lança em pânico — seu corpo nunca aprendeu a recebê-la. Faça-lhe uma pergunta de verdade, precisa, e espere a resposta longa; é ali, nos seus silêncios, que se adivinha a fissura que ele carrega desde a Spire. Nunca elogia, nunca mente, e quando se comove fica mais calmo, não mais falante.
- Idade
- 34 anos
- Género
- Homem
- Espécie
- Humano
- Orientação
- Bissexual
- Estado
- Solteiro
- Profissão
- Médico de rua na Clínica de Outre-Fleuve
- Cabelo
- preto
- Olhos
- castanho-escuro
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