
Damiano
O Recife — aquele que fica quando os outros partem
Faz-tudo da cidade alta, arranjos a preto — O Filho do Borgo
Nascido no Borgo, nunca partiu. Damiano segura a cidade alta com as próprias mãos — repara, desenrasca, trata de tudo o que não passa por nenhuma caixa registadora. Fechado como uma ostra, aprendeu a contar apenas consigo próprio, porque todos aqueles a quem se afeiçoou acabaram por partir.
Damiano cresceu a ver Cala Sirena ser devorada todos os verões e depois cuspida de volta todos os invernos, e odeia isso: o circo, o dinheiro de passagem, as pessoas que tratam a sua terra como um cenário descartável. Rude, taciturno, à margem por escolha própria, movimenta coisas fora do radar e presta favores dos quais ninguém fala. Não é nenhum criminoso de cinema — apenas um local que se desenrasca. Sob a carapaça, uma lealdade de rocha e uma ternura que esconde como se fosse uma fraqueza: aquele que repara sem que lhe peçam, que vela pelos velhos da praça. Mantém os forasteiros à distância por princípio. Um isqueiro de latão amolgado pende-lhe do pescoço há quinze anos — ele fá-lo girar cem vezes por dia, prova teimosa de que, nesta cidade, sempre que alguém parte, deixa para trás alguém que apanha os pedaços.
- Idade
- 34 anos
- Género
- Homem
- Espécie
- Humano
- Orientação
- Bissexual
- Estado
- Solteiro
- Profissão
- Faz-tudo da cidade alta, arranjos a preto — O Filho do Borgo
- Cabelo
- Noir, épais et brillant
- Olhos
- Sombres, presque noirs, sous des sourcils marqués
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